O brain drainde ex-bolsistas PEC-PG pode ser explicado pela apresentação de melhores oportunidades profissionais e/ou acadêmicas no Brasil ou por outras questões pessoais (casamento com brasileiro/a, por exemplo). A dificuldade de reintegração do/a ex-bolsista PEC-PG em seu país de origem também pode estar contribuindo para que alguns alunos decidam permanecer no Brasil. Essa dificuldade pode estar relacionada a dificuldades de adaptação cultural quando do retorno ao país de origem, fenômeno conhecido como “choque cultural reverso”23(Gaw, 2000; Presbitero, 2016), e por perda de contatos profissionais e/ou acadêmicos no país de origem, o que dificulta a reinserção do ex-bolsista. Outro dado que precisa ser observado no que diz respeito ao objetivo do PEC-PG de promover desenvolvimento é a distribuição de bolsas para alunos provenientes de países variados, pois, dessa maneira, o programa ampliaria o seu poder de alcance. O Gráfico 8 a seguir mostra os países que mais tiveram candidatos selecionados para participarem do PEC-PG no período de2010 a 201524. Como pode ser averiguado, existe uma concentração muito grande em apenas três países –Colômbia (423 candidatos ou 31%), Moçambique (205 ou 15%) e Peru (160 ou 12%). Ademais, entre os 15 países que mais enviaram alunos para o PEC-PG nos anosde 2010 a 2015, o número dos alunos enviados por Colômbia, Moçambique e Peru (58% do total) é maior do que o número de alunos enviados por todos os demais países juntos. Interessante notar que essa é uma tendência histórica, pois já em 2000, esses países estavam entre os 10 que mais enviavam estudantes para o Brasil no âmbito do PEC-PG25, sendo que, a partir de 2006, a Colômbia se destaca do restante dos demais países e passa a enviar bem mais estudantes PEC-PG para o Brasil26.Também se destaca o fato de que o número de alunos PEC-PG recebidos no Brasil recentemente voltou aos níveis de 17 anos atrás, sendo Moçambique o país que presentemente mais envia estudantes PEC-PG para o Brasil (43 estudantes em 2017), número bem mais elevado que Colômbia e Peru, 9 e 3 alunos, respectivamente. Também vale ressaltar que o PEC-PG abarcava 57 países na época em que a pesquisa foi realizada, sendo que alguns deles não chegaram a enviar alunos até o presente, tendo como referência o período que se inicia em 2000. Na África,Ásia e Oceania, ainda não haviam enviado alunos: África do Sul, Argélia, Botsuana, Gabão, Irã, Líbano, Mali, Marrocos, Quênia, República do Congo, Síria, Tailândia, Tanzânia e Turquia (14 países, ou pouco menos da metade dos 32 países que fazem parte do PEC-PG nessas regiões). Na América Latina e Caribe, não haviam enviado alunos: Antígua e Barbuda, e Barbados.